quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A fisioterapia na luta contra a escoliose

Oi queridos, boa noite! Como eu já disse, nunca tive a indicação de fisioterapia, durante todo o meu tratamento da escoliose. Porém, essa é uma atividade, que sendo trabalhada em conjunto; em equipe (ortopedista, fisioterapeuta, paciente, pais), funciona bem na luta contra a escoliose. Não sou técnica, sou apenas paciente e estudiosa sobre o assunto. Mas tenho recebido e lido excelentes relatos sobre como a fisioterapia ajudou na escoliose. Claro que cada caso é um caso, e é preciso avaliar sempre com responsabilidade.

Abaixo um dos depoimentos que me chamou muito a atenção. 


"Tenho 17 anos e escoliose em "S" desde meus 14. O meu médico acredita que o motivo foi o crescimento muito rápido combinado com a musculatura "fraca". A minha curva inicial era de 73 graus, atualmente estou com 43°. 
Na época, a ideia de se fazer a cirurgia de correção foi deixada em segundo plano, acho que pelo fato de eu ser ainda muito jovem, não sei ao certo. A verdade é que tanto o meu médico, quanto minha fisioterapeuta, acreditaram que o meu caso poderia se reverter; claro com muito esforço... Confesso que foi um alívio, os riscos de uma cirurgia (no meu caso) seriam muitos, e isso me deixava 
extremamente nervosa, ou colocando em outras palavras: com muito medo! A hipótese de ter que usar o colete também me incomodava, não tanto pela "falta" de conforto, mais pela estética mesmo. Sabe como é né? Aquela velha insegurança de adolescente. Para meu alívio momentâneo, o colete também foi descartado.
Comecei a fisioterapia em 2009 e já na primeira sessão percebi que não seria nada fácil. A dor era intensa e constante também. Fazia somente as terças e quintas, mas a dor me acompanhava 
durante toda a semana. Cada sessão durava mais ou menos 1 hora, mas graças a esses 60 minutinhos eu ficava exausta, totalmente esgotada. Meu corpo até que aceitou bem os exercícios (uma surpresa
para todos, porque afinal, era uma escoliose bem severa). Mas acontece, que como todas as outras pessoas, eu também tenho meus limites, e por algumas vezes dei "um tempo" nas minhas sessões, principalmente pelo cansaço físico. Eu não aguentava mais sentir meu corpo latejando diariamente.
A curvatura reduziu 30 graus só com fisio mesmo. E de acordo com o meu médico, os resultados teriam sido ainda melhores se eu não tivesse dado esses "tempos" no tratamento.

A questão das "tentativas de ajuda" da minha família e dos meus amigos era complicada. Parece que todos combinavam entre si para me dizerem sempre: "Jana, poderia ser pior!". As intenções eram boas,
mas por mais que eu tentasse explicar que frases como essas não ajudam em nada, eu ainda as ouço até hoje. As pessoas tentam entender pelo o que estou passando, mas não fazem ideia de como está 
sendo a minha vida desde os 14 anos. Ninguém ao meu redor passou por uma situação parecida, sendo assim eu não espero compreensão, pois elas não sabem como é se sentir mal até mesmo
com a roupa mais linda. Ou nunca sabem o que é sentir vergonha de seu próprio corpo. 
Me considero uma pessoa comunicativa, gosto muito de conversar, mas quanto o assunto é a minha escoliose, eu simplesmente fujo da conversa, pois eu sei que a frase final de todos (sem exceção) será:
"calma, vai melhorar". Acontece que há três anos ouço frases de consolo como essa e não aguento mais!
Somente uma coisa é pior que a escoliose em si, e é o olhar de piedade das pessoas. Poxa vida, com tudo que já passei (e ainda estou passando), a última coisa que eu quero é pena.

Há algum tempo coloquei na cabeça que não daria mais importância a nenhuma frase feita, e muito menos àquelas pessoas que não entendem a minha situação. Confesso... é muito difícil "ignorar" a tudo e a todos. 
Continuo fazendo fisioterapia. Não por causa do "apoio" dos outros, mas por mim. O importante é alimentar a auto-estima sempre, e esperar, porque eu sinceramente acredito que bons resultados virão!!!

Obrigada Julia, eu nunca me senti tão à vontade para conversar sobre esse assunto!

Sabe, eu já tive muita vergonha de dizer que eu tenho escoliose. Hoje não me importo que as pessoas saibam e confesso que até sinto um certo orgulho quando penso que posso servir de exemplo para pessoas que estão passando pela mesma situação."

Janaína Moura - Curitiba/PR

3 comentários:

Patricia Italo Mentges disse...

Oi Janaína, fiquei tão feliz ao ler seu depoimento... Apesar de sabermos que cada caso é um caso, muitas esperanças serão renovadas. Obrigada por compartilhar sua história conosco.
Gostaria muito de saber o nome de seu médico e de sua fisioterapeuta, Julia e eu estamos na elaboração de um projeto para conscientização e educação/informação sobre escoliose.
Sou fisioterapeuta e já obtive muitos casos de sucesso, porém é muito importante que haja uma equipe trabalhando em prol do melhor atendimento aos que nos procuram. Assim poderemos ajudar muito mais.
É muito bom poder se abrir e se expressar não é? Um super abraço.
Até breve!

Julia Barroso disse...

É isso ai!!!! Assino em baixo!

Janaína disse...

Patricia
o nome da minha fisioterapeuta é Lidiane Lakonski da Luz, e o do meu médico é Aroldo Fedatto. =)

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