segunda-feira, 18 de julho de 2011

Entrevista: fisioterapeuta especialista em escoliose

Há algum tempo estou procurando um bom fisioterapeuta para ter uma conversa aqui para o Blog. E olha que maravilha, por uma feliz obra do acaso, encontrei a Dra. Patricia Mentges, uma super especialista e experiente em escoliose. Isso é raro no mercado, pelo menos eu não conheço ninguém, além dela. Achei muito interessante o fato dela ser apaixonada pelo tratamento da escoliose e por isso fiz uma entrevista para vocês! Ela é um exemplo de pessoa e profissional que luta por uma causa. E o melhor: a nossa causa!

Confiram abaixo: 

1-) Há quanto tempo trabalha com a escoliose? 

Trabalho há 15 anos com escoliose.

2-) O que a fez se interessar por esta deformidade em especial?

Meu interesse surgiu quando percebi o impacto emocional causado e a falta de apoio e serviços disponíveis no Brasil para essa deformidade; sou dessas pessoas que acreditam que quanto maior o desafio melhor. 

3-) Trabalha com crianças também?

Atendo crianças também, desde que possam entender e ajudar, cooperando com o tratamento. Isso geralmente ocorre a partir dos 8 anos de idade, mas pode haver exceções. Tenho grande experiência com a escoliose idiopática do adolescente, a juvenil e também a do adulto. A palavra idiopática significa que a causa é desconhecida, e, esse tipo de escoliose corresponde à maioria dos casos, ou seja, 80%.

4-) É possível reduzir em algum nível a curva com fisioterapia?

Sim, é possível obter a redução das curvas - geralmente das escolioses idiopáticas - com tratamento fisioterápico, mas para isso, é fundamental o diagnóstico preciso e precoce, seguido de um programa de tratamento seguro e eficaz. Porém, só obteremos isso com muito comprometimento por parte do paciente e de sua família. Sem isso não obtemos o que almejamos. É muito importante também saber que se estivermos diante de uma escoliose verdadeira - estrutural - não conseguiremos zerar a curva, mas podemos sim obter bons resultados tanto a nível estético como nos graus de curvatura.

5-) Há alguma diferença no tratamento para pacientes que usam o colete e nos que não usam?

Sim, a principal diferença entre os dois é o grau de curvatura. Entre 25 e 30º de curva, uma criança ou adolescente que ainda crescerá, os ortopedistas indicam o uso do colete ortopédico. O importante é que, se indicado, é fundamental que se haja tratamento fisioterápico associado para evitar rigidez e hipotonia - falta de força - dos músculos posturais, que serão solicitados após a retirada do colete. Temos que pensar no agora e no futuro de nosso pacientes. 

Lamentavelmente no Brasil, com raras exceções, os médicos desconhecem e até desmotivam a fisioterapia associada ao uso do colete ortopédico.

6-) Por favor, me conte sobre o projeto que está trazendo para o Brasil com os italianos...

O projeto com os italianos.... bem, ao longo desses anos, lidando com um dos maiores desafios da área da saúde que é a escoliose, fiz muitos cursos e formações. Fui constatando a importância dos exercícios no resultado dos tratamentos. Esse ano durante o 8º SOSORT- Scoliosis Orthopaedic and Rehabilitation Treatment - congresso anual que reúne médicos e fisioterapeutas envolvidos no tratamento da escoliose, ocorrido em maio na cidade de Barcelona, foram apresentados vários trabalhos evidenciando essa importância. De lá seguimos para Milão para uma formação internacional com o objetivo de trocar conhecimento, expandir e divulgar a relevância do tratamento da escoliose. O projeto então é tornar essa, uma realidade brasileira. Sei que o caminho é longo, mas como já disse, acredito que os desafios devam ser enfrentados e, como sabemos, grandes caminhadas começam sempre pelo primeiro passo.
Fiquei muito feliz, pois constatei que estou no caminho certo e também por conhecer uma metodologia que se encaixa nas características socioeconômicas do Brasil. Neste projeto, as sessões têm um espaço de tempo maior entre si, possibilitando baixa no custo do tratamento, porém exigindo maior comprometimento dos pacientes e seus familiares nos "deveres de casa". 




Essa pesquisa já vem sendo feita há 40 anos e seus resultados são promissores. 

7-) Você já teve algum caso especial que tenha te marcado muito?



Na verdade, cada um que depositou e deposita sua confiança em mim me marcaram de forma definitiva. Sem dúvida esse caso em especial que irei contar para vocês. A paciente se dedicou de forma extraordinária e me deixou uma certeza, a de que vale a pena tentar e acreditar, apesar das dificuldades. Me marcou especialmente quando, no dia em que, anos depois da alta, ela me telefonou para contar que tinha passado no vestibular para a faculdade de fisioterapia. Vocês podem imaginar o que senti? Além de toda a emoção gerada, essa paciente e agora colega de profissão, é um exemplo vivo de resultado de redução de curva de escoliose. Caso queiram ler: Escoliose... e um final feliz.

8-) Você dá cursos sobre escoliose? Quando é o próximo?

Sim, dou cursos de escoliose com o objetivo de ajudar a que tenhamos mais colegas com a capacidade de tratar essa deformidade que muitas vezes nos coloca diante de impasses, que nos desconcerta, mas que ao mesmo tempo nos dá imensas alegrias, nos comove profundamente. 

Nos meus cursos procuro sempre aliar o que há de mais novo nas pesquisas científicas, sem esquecer o lado humano, ou seja, procuro ensinar que é possível associar o profissionalismo, que exige muito estudo, dedicação e ética ao humanismo da questão. 

O próximo curso intitulado: "Tratando a Escoliose: uma visão contemporânea" será em Agosto, nos dias 27 e 28.

9-) Gostaria de deixar algum recado aqui para as pessoas que têm escoliose e precisam de tratamento?

Gostaria de deixar uma mensagem de esperança e fé. A esperança de que ao nos dedicarmos de corpo e alma a uma causa pode tornar possível, o que no momento pode nos parecer impossível. A fé que é essencial para darmos o primeiro passo em direção, se não a cura, a uma "qualidade de vida" no melhor sentido dessa palavra. 
Sei que nesse momento, especialmente no Brasil, mas não só aqui, a realidade não é a que queremos ver. Muitas pessoas estão na espera de uma cirurgia e outras tantas a procura de um tratamento. Por minha parte estou nesse projeto necessitando de um número importante de atendimentos para comprovação de resultados. Principalmente tratamentos através da fisioterapia associada ao uso de coletes ortopédicos. 


Finalmente gostaria de dizer o quanto é fundamental que esse tratamento exige interdisciplinaridade, ou seja, que o médico, o fisioterapeuta e o técnico do colete falem a mesma linguagem e interajam para seu sucesso.

PATRICIA ITALO MENTGES
Fisioterapeuta - Educadora Física
Corrective Exercise Specialist - NASM - USA
Tel: (21) 3068-8341 - Cel: (21) 9769-7750
http://patriciaitalomentges.blogspot.com

3 comentários:

Nádia Lôbo disse...

Oi Julia,q bacana a entrevista!Como disse a Patrícia,a fé é a base de tudo.Um tratamento q requer dedicação,perseverança...Seu blog é especial!Sucesso e obrigada pelo espaço.Deus abençoe vc,bjs

Julia Barroso disse...

Oi Nádia, obrigada viu! Estamos juntas nesta luta.....

Deus abençoes vcs também.

um bj grande

Anônimo disse...

Adorei a entrevista. Muito importante mesmo a fisioterapia, assim como a natação, para fortificar os musculos em volta da coluna.
Fundammental
Mami

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